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Anáfora


A repetição de palavras
"Nunca repita palavras no seu texto."

Quem, durante sua vida estudantil, nunca ouviu seu professor ou professora fazer esta recomendação? E, por causa dela, o aluno acaba criando uma "camisa de força" ao escrever sua redação, achando que seu trabalho ficará péssimo se utilizar mais de uma vez a mesma expressão. Mas será que é isso mesmo? Será que a repetição de palavras é um recurso absolutamente condenável? Preste atenção na letra da canção "Flores em você", gravada pelo grupo Ira!:

"De todo o meu passado,
boas e más recordações.
Quero viver meu presente
e lembrar tudo depois.
Nessa vida passageira,
eu sou eu, você é você.
Isso é o que mais me agrada.
isso é o que me faz dizer
que vejo flores em você."

A repetição, nesse caso, é um recurso usado de forma leve: a estrutura "isso é o que..." foi repetida apenas uma vez, com a intenção de dar ênfase àquele trecho da letra. Há casos em que a repetição é feita de forma bem mais intensa, como na canção "À primeira vista", gravada por Chico César:

"Quando não tinha nada, eu quis.
Quando tudo era ausência, esperei.
Quando tive frio, tremi.
Quando tive coragem, liguei.
Quando chegou carta, abri.
Quando ouvi Prince, dancei.
Quando olho brilhou, entendi.
Quando criei asas, voei.
Quando me chamou, eu vim.
Quando dei por mim, tava aqui.
Quando lhe achei, me perdi.
Quando vi você, me apaixonei."

A repetição da mesma palavra no início de dois ou mais versos chama-se anáfora. Esse recurso, na linguagem poética, é perfeitamente possível, absolutamente forte. O poeta lança mão da anáfora para causar determinados efeitos. Na linguagem formal, na dissertação, a repetição abusiva pode não ter o mesmo bom resultado. Por isso, evite-a no seu texto formal, ou utilize recurso com muito critério.


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