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Champanhe / Grama / Moral


Neste módulo o professor Pasquale conta a surpresa que teve ao ouvir, em Belém do Pará, uma moça dizer: "Levei uma tapa".

O professor não tinha, ainda, ouvido alguém se expressar dessa maneira, apesar de constar nos livros. Uma tapa, um tapa, o tapa ou a tapa são formas corretíssimas. Trata-se de uma palavra que pode ser tanto do gênero masculino como do gênero feminino.

Algumas palavras causam certa estranheza. É o caso de sabiá. Na canção "Sabiá" de Tom Jobim e Chico Buarque temos:

"Vou voltar.
Sei que ainda vou voltar
para o meu lugar.
Foi lá e é ainda lá
que eu hei de ouvir cantar
uma sabiá, o meu sabiá".

Chico Buarque usou as duas formas. Ambas corretas. Veja nos dicionários.Mas algumas palavras não admitem duplo gênero.

É o caso de dó. Ouve-se falar "Você não imagina a dó que eu senti". Errado. O certo seria falar " Você não imagina o dó que eu senti". Dó é do gênero masculino. Em muitos lugares ouve-se "a champanhe". Está errado. É "o champanhe" ou "o champanha". A palavra pode ser escrita com e ou com a no final, mas sempre no masculino, nunca no feminino.

O professor chama a atenção para uma outra canção."Seu Tipo" (Duardo Dusek e Luis Carlos Góes)

"... coloca aquele vestido
tipo comprido
E vê se não brinca com a minha libido".

Ao contrário do que muita gente pensa, o certo é a libido, como diz a cancão, e não o libido.

Outro problema são aquelas palavras que mudam o sentido quando o gênero é alterado. É o caso de "grama".Não se deve confundir "o grama" com "a grama", "o moral" com "a moral".

"O grama" é a unidade de massa.
Compram-se duzentos gramas de queijo.
"A grama" é o vegetal.
"O moral" é o estado de espírito.
O time está com o moral elevado.
"A moral" é o código de princípios de uma sociedade.

Quando houver dúvida quanto ao gênero de palavras. A sugestão é recorrer ao dicionário.


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