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Pleonasto


Expressões redundantes
Você já ouviu falar em pleonasmo? É uma palavra aparentemente complicada, mas uma consulta a um bom dicionário pode esclarecer a dúvida. Trata-se da repetição de uma idéia que já está contida em termo anterior. Veja um exemplo:

Eu sonhei um sonho.

Se eu sonhei, obviamente foi um sonho. É um pleonasmo redundante. Algumas vezes, a palavra pleonasmo é usada no dia-a-dia até com sentido de ironia. Alguém diz, por exemplo: "Aquele é um político falador". Outra pessoa pode retrucar: "Político falador é um pleonasmo". Com certeza, o comentário deve-se ao fato de que, normalmente, o político é mesmo um falador, fala, fala, fala....

Existem pelo menos dois tipos de pleonasmo: aquele que não acrescenta nada, como "entrar para dentro", e aquele que tem lá sua dose de criatividade, que pode ser aceito dependendo da circunstância. Vamos ver um trecho da canção "Vou deixar que você se vá", gravada pelo grupo Nenhum de Nós:

"... Procure o seu caminho
Eu aprendi a andar sozinho
Isto foi há muito tempo atrás
Mas ainda sei como se faz
Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar".

Expressões do tipo "há muito tempo atrás" estão consagradas na língua do dia-a-dia e até em textos literários. Ao pé da letra, é um pleonasmo. Se eu estive em algum lugar há 10 anos, obviamente foi no passado, foi lá para trás. Por isso a palavra "atrás" é redundante, é um pleonasmo. Só que é tão usado que alguns autores entendem que já é hora de aceitá-lo. No português rigoroso é melhor não usar. Vamos ver outro caso, agora na letra da canção "Tanta saudade", gravada por Djavan:

"... Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina...".

A expressão "encarei de frente" também é consagrada no uso popular. Mas "encarar" já significa "olhar de frente". Dessa forma, "encarei de frente" é redundância, é um pleonasmo. Esse recurso faz sentido em determinados contextos, em textos literários em que se quer enfatizar uma idéia.

Rigorosamente, no entanto, são construções que trazem informações desnecessárias, redundantes. Algumas vezes utilizamos pleonasmos sem perceber. Por exemplo:

Ele tem uma bela caligrafia.

"Cali", um radical grego, quer dizer "belo", "bonito". Assim, "caligrafia" significa "grafia bonita", o que torna a expressão "caligrafia bonita" um pleonasmo. Como, no entanto, praticamente se perdeu a noção de que caligrafia já tem a palavra "belo", escrever "bela caligrafia" não constitui um deslize e é aceito pelo padrão culto.

 


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