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Pobrema? Renegerar?


Todo mundo sabe que a língua é também um cartão de visitas. Já pensou se alguém chega e vai logo dizendo "pobrema" ? Complicado. Não é um pobrema nem um poblema... é mesmo um grande problema! Afinal, a pronúncia oficial, na língua portuguesa, deve ser sempre como se grafa a palavra: pro-ble-ma.

Há um comercial de televisão com uma atriz muito conhecida. Ela faz uma troca de sílabas, que só percebe quem presta atenção:

"Se a vaca pudesse escolher um hidratante
pra proteger o couro dela, era Tom Bom.
Ela ia falar assim, ó: ‘Tooom Booom’.
Tom Bom é um creme que penetra e renegera cada fibra,
deixando o couro vivo, macio, doidinho pra brilhar..."

A atriz Denise Fraga, que fez o comercial, nos contou que foi preciso convencer o pessoal da agência a aceitar o renegera em vez de regenera. Foi uma brincadeira que no fim deu certo. O resultado ficou delicado e interessante.

A ciência que se ocupa desse tipo de coisa, desses desvios de pronúncia, é a fonoaudiologia. Em depoimento ao programa, a fonoaudióloga Sandra Pela fala a respeito do problema, dessa troca de letras e sílabas:

"Para a produção efetiva dos sons da fala, algumas estruturas são necessárias. O ar vem dos pulmões, passa pela laringe e produz som nas pregas vocais. Esse som é então modificado no trato vocal ou na caixa de ressonância. O trato vocal é que dá a característica específica de cada som.

Por exemplo: se o ar sai mais pelo nariz do que pela boca, temos os sons nasais, como na pronúncia das letras ‘m’ e ‘n’. Se o som é produzido durante o fechamento dos lábios, temos os sons das letras ‘p’ e ‘b’.

Quando esse mecanismo da fala está alterado, nós temos um fenômeno que é conhecido, atualmente, como dislalia ou distúrbio articulatório. Antigamente era chamado de rotacismo.

No caso das crianças, o problema pode ser decorrência de um atraso no desenvolvimento e de alterações na habilidade motora ou no comando do sistema nervoso central. No caso dos adultos, podemos pensar em trocas articulatórias dos fonemas - como falar ‘Cráudia’ em lugar de ‘Cláudia’, ou de sílabas, como no caso do comercial mencionado. A pessoa faz essa alteração muitas vezes em decorrência do seu meio cultural."

Como vimos, o problema tem explicação científica e há solução para ele. A pessoa pode fazer um tratamento para aprender a empostar a voz, a pronunciar melhor as palavras. O importante é que ninguém seja discriminado por isso.


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