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É redundante dizer que o Brasil é grande e por isso tem muitos falares
diferentes. Em países menores, como Portugal e Itália, por exemplo,
os falares variam, em alguns casos, de cidade para cidade. Há muita
diferença de sotaque e até de vocabulário.
O nosso mineiro tem
um hábito muito particular em relação ao verbo com o pronome, o
chamado verbo pronominal. Há uma canção que, apesar de não ser de
um mineiro, ilustra o caso: Cordão, de Chico Buarque.
"...
ninguém , ninguém vai me sujeitar
Arrancar do peito a minha paixão
Eu não, eu não vou desesperar..."
Ninguém diz "naquele
momento eu desesperei". Dizemos "naquele momento eu me desesperei",
"desesperei-me".
Os mineiros têm o hábito
de comer o pronome oblíquo. Em entrevista, Fernando Brant diz:
"Eu formei
em direito, mas advogado eu não sou. Freqüentei a faculdade, formei
...".
Correto seria dizer "Eu me formei em direito...".
É bom lembrar que são
pronominais os verbos a seguir:
orgulhar-se
apaixonar-se
dignar-se
arrepender-se
queixar-se
Por outro lado, não
são pronominais os verbos abaixo, que, normalmente, são tratados
como tal:
confraternizar
(Os atletas confraternizam. É errado dizer "Os atletas se
confraternizam")
simpatizar ( Eu simpatizo com ela . É errado dizer
"Eu me simpatizo com ela")
Não utilize o pronome
quando ele não existir. Use-o sempre quando o verbo o exigir. |